Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste Em Brumado, o Núcleo Especializado de Atendimento à Mulher (Neam) tem mobilizado diversas ações em virtude do Agosto Lilás, campanha de conscientização e enfrentamento à violência doméstica.
Ao site Achei Sudoeste e ao Programa Achei Sudoeste no Ar, a delegada Ellen Mara Lages Neiva Pierote, titular no Neam, destacou que o combate à violência doméstica não se resume a apenas um mês do ano. “É só um período de conscientização, de prevenção e de informações porque muitas mulheres que vivem em situação de violência sequer reconhecem que aquilo que elas vivenciam é uma ação violenta”, afirmou.
Lages explicou que, geralmente, a violência doméstica não começa com a agressão física, escalando do controle, da humilhação, do isolamento, da retirada de autonomia financeira, das ameaças e do ciúmes exagerado até a ocorrência do primeiro tapa, por exemplo. “Quando a mulher percebe que aquele comportamento não é normal, ela entende que está num ciclo de violência”, pontuou. Por isso, conforme salientou, a campanha auxilia na prevenção, visto que a informação protege e pode salvar vidas, sendo a sua realização essencial diante de um tema tão delicado.
Hoje, segundo a delegada, os números da violência doméstica em Brumado são crescentes e assustadores. “Ainda é muito alarmante e surpreendente pelo tamanho da cidade”, ressaltou. Olhando pelo lado positivo, Pierote apontou que o aumento das ocorrências pode ser atribuído ao maior alcance das informações massificadas por meio das campanhas de conscientização.
A violência contra as mulheres permeia todas as classes sociais, sendo difícil em todos os casos as vítimas se reconhecerem como tal. Para combater essa dura realidade, Ellen fez um alerta para toda sociedade. “O Agosto Lilás termina no calendário do mês de agosto, mas a nossa responsabilidade enquanto sociedade não termina no mês de agosto. Que a gente possa aprender a reconhecer a violência antes que ela chegue ao extremo, que a gente seja capaz de olhar para o outro e perceber os sinais da violência doméstica e que nenhuma mulher precise esperar chegar à agressão física para descobrir que ela tem direito a viver sem medo”, finalizou.